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Jurimetria

Guia

Como usar jurimetria na estratégia do escritório

Atualizado em outubro de 2026

A jurimetria não serve só para pesquisar jurisprudência. Ela pode mudar a forma como o escritório decide quais casos aceitar, como fundamenta a tese e como conversa com o cliente sobre expectativa de resultado.

Este guia mostra três aplicações práticas da jurimetria na estratégia do escritório, com exemplo concreto.

Aplicação 1 — Decidir se vale a pena aceitar o caso

Antes de aceitar um caso, o advogado avalia os riscos. A jurimetria ajuda a calibrar essa avaliação com números.

O caminho é:

  1. Identificar a tese. Qual é a questão de direito central do caso?
  2. Medir a taxa. No recorte que interessa (tribunal, classe, matéria), qual é a taxa de decisões favoráveis?
  3. Comparar com o cenário. A taxa de 2025 é maior ou menor que a de 2020? A tendência está subindo ou caindo?
  4. Decidir. Se a taxa for baixa e a tendência negativa, talvez o caso não compense. Se for alta e a tendência positiva, há espaço.

Nada disso é automático. O advogado continua avaliando os fatos, as provas e a estratégia. A jurimetria entra como mais um insumo.

Aplicação 2 — Escolher a tese

Um mesmo caso pode ser sustentado por teses diferentes. A jurimetria ajuda a escolher a tese mais aceita pelos tribunais.

Exemplo prático: um cliente teve o nome negativado indevidamente. O advogado pode sustentar a tese com base em:

  • dano moral presumido (a negativação, por si só, gera o dano);
  • dano moral comprovado (é preciso demonstrar o prejuízo).

As duas teses existem na jurisprudência. Qual tem taxa maior? Depende do tribunal, da turma e do período. A jurimetria mostra o número; o advogado decide qual usar.

O mesmo raciocínio se aplica a:

  • Prisão preventiva: fundamentação genérica vs. falta de contemporaneidade.
  • Consumidor: vício do produto vs. fato do produto.
  • Tributário: inconstitucionalidade vs. ilegalidade.

Aplicação 3 — Conversar com o cliente

O cliente quer saber como casos parecidos foram decididos. Sem números, o advogado responde com base em experiência — o que funciona, mas gera expectativa descalibrada.

Com a jurimetria, o advogado pode mostrar:

  • a taxa de decisões favoráveis no recorte do caso;
  • o período considerado (últimos 5 anos, últimos 10 anos);
  • o critério usado (o que conta como favorável);
  • a tendência (se a taxa está subindo ou caindo).

Isso não garante resultado — nada garante. Mas dá ao cliente uma base concreta para entender o cenário.

Um exemplo passo a passo

Suponha que um escritório recebeu um caso de dano moral por negativação indevida no STJ. O advogado faz o seguinte:

  1. Filtra o recorte: STJ, REsp, matéria “consumidor”, últimos 5 anos.
  2. Olha a taxa: qual é a proporção de recursos providos no período?
  3. Compara com a tendência: a taxa dos últimos 3 anos é maior que a dos 3 anteriores?
  4. Verifica a base: o recorte tem mais de 30 decisões? Se tiver menos, a taxa não é confiável.
  5. Lê as decisões: o advogado abre as 5 ou 10 decisões mais recentes e lê o inteiro teor.

Com isso, o advogado chega à conversa com o cliente com número, período, critério e tendência. E ainda pode mostrar as decisões específicas, com trecho literal e link oficial.

O que a jurimetria não faz

A jurimetria não substitui:

  • a leitura das decisões. A taxa é um número; o caso é concreto.
  • a análise das provas. O que o cliente tem para provar muda tudo.
  • a estratégia processual. Escolher quando recorrer, quando negociar e quando aguardar continua sendo decisão do advogado.
  • a ética profissional. A jurimetria é ferramenta de análise, não de promessa de resultado.

O advogado que usa jurimetria com esses limites na cabeça toma decisões melhores e conversa com o cliente de forma mais honesta.

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